Um lugar de tentativas...

terça-feira, 6 de julho de 2010

O belo e o feio



Eu queria escrever um poema de coisas bonitas:
Sentir amor, dois cachorros ao sol, um pé de jabuticaba.
O susto de conhecer Celso...
Vô Geraldo de terno novo pra receber folia de reis...
Os meninos pintando a rua,
Em dia de jogo do Brasil.
E mais tarde as pipas todas verde-amarelas
Cortando o céu azul...

Versos pra Bosi nem Campos fazer de criticar.
Sólido como uma rocha do sertão,
Belo, essencial, feminino...
De uma terra longe
De uma infância longe
Como gostam as gentes.

Mas pro meu desgosto,
Não tive avô Geraldo.
Celso não conheci.
Folia de reis eu vi na tevê
Jabuticaba só em época...


Eu nasci no sujo da metrópole,
O concreto sob o peso das pálpebras
A infância eu perdi quando perdi deus.
Ai Itabira, dos sonhos de Drummond!
Tivesse eu as ruas de Goiás, seria Cora.
Ser urbano é entender as coisas feias.

Um comentário:

  1. um belo poema sobre coisas feias, então!

    gostei daqui, gostei mesmo!

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